Lula sanciona Orçamento de 2026 com vetos em R$ 393 milhões que o Congresso havia reservado para inflar emendas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará restrições para investimentos e gastos livres dos ministérios em 2026 — ano de Eleições. A análise foi feita por especialistas em contas públicas ouvidos pelo g1. 💵 A explicação é que há um limite para despesas totais fixado pelo arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas aprovada em 2023. As despesas não podem ter aumento real, corrigidas pela inflação, acima de 2,5% ao ano. 💰 Os chamados gastos obrigatórios, como benefícios, pensões e salário dos servidores públicos, estão crescendo mais do que 2,5% ao ano e comprimindo o espaço para os investimentos e despesas livres do governo — que vai ficando cada vez menor. Entre os gastos livres, cujo espaço cai ano a ano, estão: investimentos em infraestrutura; verbas para a defesa agropecuária; bolsas do CNPq e da Capes; emissão de passaportes; fiscalização ambiental e do trabalho escravo; Farmácia Popular; despesas administrativas; recursos para universidades federais; e recursos para agências reguladoras, entre outros. Analistas avaliam que os valores alocados para gastos dos ministérios já são baixos atualmente, resultando em restrições orçamentárias. Procurado, o governo não se manifestou. Especialistas também julgam que a projeção de despesas está subestimada, o que significa que o governo deve gastar mais que calculou, e que a arrecadação deve ser menor do que os valores que constam no orçamento, o que significa que o governo deverá ter menos dinheiro que o previsto — resultando em dificuldades adicionais (veja mais abaixo nessa reportagem). Abatidas as emendas parlamentares, os gastos para completar os pisos em saúde e educação e as despesas administrativas, o limite para investimentos e gastos dos ministérios, incluindo universidades federais e agências reguladoras, cai para cerca de R$ 65 bilhões em 2026 — valor considerado baixo por analistas. 🔎 O primeiro ajuste nas despesas pode ocorrer em março, no primeiro relatório do orçamento deste ano. Se o governo julgar que os valores aprovados pelo Legislativo para as receitas e despesas não estão realistas, efetuará bloqueio de gastos. 🔎 Sem um ajuste pragmático das projeções em março, as dificuldades orçamentárias tendem a se agravar com o passar dos meses, à medida que as projeções de receita e despesa deixem de se confirmar — levando a bloqueios de despesas. Governo terá ano difícil na execução orçamentária, segundo especialistas Banco de imagens canva Analistas opinam Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional e head de macroeconomia do ASA, lembra que o governo conseguiu um espaço extra de R$ 13 bilhões em 2026 por conta da emenda constitucional que retirou do limite de gastos a totalidade dos gastos com sentenças judiciais. Mesmo assim, ele prevê um ano difícil. "Será um ano difícil para a execução das despesas discricionárias, seja pelo volume de despesas obrigatórias represadas com a fila para a concessão de benefícios previdenciários e assistenciais, seja pelo calendário eleitoral", afirmou. Para Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, a situação da máquina pública será "muito apertada", mas "nenhum estrangulamento dramático" do orçamento de 2026. Com a retirada do limite de gastos a totalidade dos gastos com sentenças judiciais, ele diz que o governo "ganhou um espaço para respirar". Mesmo assim, o analista prevê a necessidade de uma nova reforma das regras das contas públicas em 2027. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já admite ajustes no arcabouço fiscal. "Com custeio da máquina pública, tem uma margem [de gastos] para investimentos medíocre em um país continental com as necessidades que o Brasil tem. Insustentabilidade e horizonte pouco promissor ao país [são características que] saltam aos olhos que essa estrutura fiscal [arcabouço] oferece", disse Pestana. Números e explicações do governo 📈 De acordo com números do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o governo possui uma margem de R$ 129,2 bilhões para os chamados gastos livres dos ministérios, envolvendo despesas administrativas de custeio da máquina pública, investimentos e gastos dos ministérios. Esse é o valor que sobra para o governo após o abatimento do valor destinado às emendas parlamentares, impositivas e de comissão, estimado pelo governo em cerca de R$ 50 bilhões neste ano, e dos recursos destinados ao cumprimento dos pisos de saúde, que somam R$ 38,7 bilhões, e educação, montante de R$ 22,8 bilhões. Questionado se esse valor será suficiente para passar 2026 sem maiores restrições, ou se será um ano difícil, o Ministério do Planejamento não respondeu até a última atualização dessa reportagem. O problema é que o governo usará boa parte dos R$ 129 bilhões que sobram para passar o ano com os chamados gastos administrativos. Entre eles: água; energia elétrica; telefone; serviços de limpeza; combustíveis; tecnologia da informação; aluguel de imóveis e veículos; diárias e passagens; e serviços bancários, entre outros. Em 2023 e 2024, respectivamente, essas despesas administrativas, corrigidas pela inflação, somaram R$ 63 bilhões e R$ 65 bilhões. De janeiro a novembro do ano passado, totalizaram R$ 63 bilhões. Os números são da Secretaria do Tesouro Nacional. Após os gastos administrativos, o espaço para gastos dos ministérios cairá para cerca de R$ 65 bilhões em 2026 — valor considerado baixo por analistas. Outros problemas Para completar o quadro, os economistas apontam que há despesas obrigatórias, por exemplo, previdenciárias, que devem estar subestimadas no orçamento de 2026. Assim que os valores forem atualizados, o espaço para os gastos livres do governo será menor ainda. "A questão da subestimação da despesa existe, como também existiu nos orçamentos passados. A despesa previdenciária em 2025, por exemplo, foi elevada em quase R$ 13,5 bilhões, em apenas oito meses, entre a aprovação do orçamento e o 5º relatório bimestral, indicando mais subestimação da estimativa original do que fatores imprevistos que afetaram a rubrica", avaliou Jeferson Bittencourt, do ASA. O economista estima que o espaço para gastos livres do governo será de R$ 117 bilhões, e não de R$ 129 bilhões, após o pagamento das emendas de comissão e mínimos da saúde e educação. ➡️Os analistas também apontam que há receitas superestimadas no orçamento de 2026, valores que são considerados para o atingimento da meta fiscal de zerar o déficit das contas neste ano (com abatimentos de precatórios). 🔎Se não for confirmado o patamar de arrecadação previsto no orçamento, e se o governo não arrumar outras receitas para compensá-lo, será obrigado a fazer bloqueios de gastos no decorrer do ano para tentar atingir a meta fiscal. "Tem uma receita de R$ 14 bilhões em imposto de importação, que ninguém falou o que é isso, de onde vai ser (...) E sempre tem frustração nos programas de renegociação de dívida [cujos valores estão considerados na arrecadação total]. O quadro, que é muito apertado, pode ficar mais apertado ainda", concluiu Marcus Pestana, da IFI.
Nissan Kait é um Kicks Play evoluído para peitar VW Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian Com uma briga cada vez mais acirrada entre os SUVs compactos, a Nissan precisava urgentemente de uma renovação de seu modelo de entrada. O antigo Kicks vendia bem, mas o projeto pedia uma atualização para enfrentar os recém-lançados Volkswagen Tera e Renault Kardian, além do já conhecido Fiat Pulse. De início, a Nissan confundiu o mercado. O novo Kicks chegou bem maior, para competir em outra prateleira de SUVs. Mas logo ficou claro que a solução viria de um projeto totalmente novo: o Nissan Kait, que aposenta o antigo Kicks e foi desenvolvido sob medida para acirrar a disputa entre os SUVs compactos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O g1 acompanhou a revelação do Kait, apresentado mundialmente no Brasil e que será produzido no Complexo Industrial de Resende, no Rio de Janeiro, tanto para o mercado brasileiro quanto para exportação a mais de 20 países da América Latina. Agora, a reportagem reportagem passou uma semana com o SUV, enfrentando trânsito pesado na cidade e trechos mais livres na estrada, para avaliar se ele tem chances na disputa mais acirrada do mercado automotivo hoje. A primeira impressão é positiva. O Kait não chama atenção como uma Ferrari, mas desperta curiosidade com o visual moderno e o nome diferente. Chamar a atenção é um bom primeiro passo. O comentário mais comum é que o carro é bonito, mas passa a sensação de que “já foi visto antes”. Nissan Kait De fato, as linhas lembram bastante as de um carro eletrificado chinês. Essa era uma conclusão quase imediata de quem via o Kait pela primeira vez. A entrada de ar é bem menor que a do antigo Kicks, e os faróis superiores são separados do conjunto inferior por uma barra fechada. Na traseira, os faróis mais afilados e o nome em destaque na tampa do porta-malas — solução adotada por marcas como GWM e BYD — reforçam essa impressão. Embora mude bastante na dianteira e na traseira, os mais entendidos logo percebem que a lateral mantém praticamente tudo do antigo Kicks. O desenho das portas, retrovisores, maçanetas, o formato dos vidros e a coluna C — que sobe em linha reta após a porta traseira — são idênticos. Nissan Kait e Kicks Play são quase idênticos na lateral Initial plugin text Por dentro, vários itens são idênticos aos do antigo Kicks: Volante; Capacidade do tanque de combustível; Câmbio; Freio de mão; Botões do vidro elétrico; Tamanho e formato do apoio de braço; Porta-copos; Tamanho do para-sol; Retrovisor; Lâmpada de leitura. Embora isso possa parecer um ponto negativo, é importante lembrar que o reaproveitamento de peças costuma ser fundamental para evitar aumentos expressivos de preço. O Hyundai Creta adotou estratégia semelhante, mantendo a lateral praticamente igual, mas alterando o visual em pontos-chave. E, nesse ponto, o Kait conseguiu manter o preço de um projeto ultrapassado e parte dos mesmos R$ 117.990 cobrados pelo Kicks Play. A versão topo de linha custa R$ 152.990. (veja abaixo os preços, comparados aos concorrentes) Volante do Nissan Kait é o mesmo do Kicks Play Rafael Peixoto/g1 O Kait traz, desde a versão de entrada, itens que no Kicks Play aparecem apenas nas versões mais caras, como: Central multimídia de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay; Chave presencial; Faróis e lanternas de LED; Rodas de 17 polegadas; Câmera de ré; Sensor de estacionamento traseiro; Partida por botão. Mas também houve um corte claro para reduzir custos: antes eram duas portas USB na frente do carro, e agora o novo modelo oferece apenas uma. Há duas USB-C na segunda fileira, mas não é exatamente a mesma coisa. Como o espelhamento do Android Auto e do Apple CarPlay pode ser feito sem fio, e há um carregador de celular por indução no console — disponível apenas na versão mais cara do Kait —, a única porta USB pode servir para recarregar o smartphone do carona. Outros dois pontos seguem inalterados e, nesses casos, não há o que reclamar. O primeiro são as dimensões do Kait, que continuam praticamente iguais às do Kicks, com apenas um centímetro a mais no comprimento, devido ao desenho do novo para-choque traseiro. O segundo ponto é o porta-malas de 432 litros, ponto alto do carro e o maior entre os SUVs de entrada. Como o bagageiro foi priorizado, o espaço interno não impressiona, mas também não decepciona. Acomoda quatro adultos com algum conforto, especialmente se nenhum deles for muito alto. Porta-malas do Nissan Kait Rafael Peixoto/g1 Um terceiro item entra na lista, agora pelo lado negativo: o motor é o mesmo 1.6 aspirado do Kicks Play. Se, por um lado, isso mantém o Kait como uma opção robusta, com um motor já conhecido por muitos mecânicos, por outro ele fica para trás por ser o único SUV do segmento sem opção turbo. No uso urbano, o motor entregou o necessário em baixas velocidades. As ultrapassagens na cidade ocorreram sem dificuldades, mas o problema apareceu na estrada: a ausência de turbo pesou nas retomadas e no nível de ruído. O motor só entrega o torque máximo aos 4.000 giros e, ao passar dos 3.000, o ruído já começa a incomodar. Acelerar para ultrapassar com quatro adultos a bordo, sem exceder o limite da via, era um processo lento e ruidoso. Motor do Nissan Kicks Kait Rafael Peixoto/g1 Quando a velocidade se estabiliza, o motor volta a ficar mais silencioso, e o câmbio CVT, sem marchas definidas, garante transições suaves. E, para quem teve um Kicks mais antigo e reclamava da baixa autonomia, o Kait não traz mudanças nesse ponto. Um tanque cheio não garantiu 300 quilômetros, o que significa que, em viagens longas, será preciso parar mais vezes para abastecer. Fechando a avaliação de dirigibilidade, a suspensão agradou, assim como já acontecia no Kicks Play. Ela é bem equilibrada para cumprir o que se espera de um carro: absorver os impactos do asfalto brasileiro e controlar a carroceria em curvas fechadas. Em resumo, o Kait foi bem na cidade. Na estrada, com o carro cheio, passou a sensação de falta de fôlego. É uma contradição com o porta-malas grande, que convida a encarar viagens longas e com mais pessoas a bordo. Tecnologia Outra contradição aparece na tecnologia embarcada do Kait. O carro tem um dos conjuntos mais avançados de segurança e assistência ao motorista entre os concorrentes. Por outro lado, a central multimídia decepciona. A versão testada trazia um sistema que não é fabricado pela Nissan, mas pela Pioneer, empresa conhecida por vender esse tipo de equipamento separadamente. É natural que desenvolver um sistema próprio seja mais caro do que terceirizar, mas as telas da central e do painel do Kait não seguem uma identidade visual única. As interfaces não se integram, as cores do display são diferentes e os botões físicos também adotam padrões próprios. Central multimídia e volante do Nissan Kait Rafael Peixoto/g1 A desconexão é tamanha que havia cerca de 30 segundos de diferença entre os relógios dos dois displays. Assim, a central multimídia cumpre apenas o básico: espelhar o celular sem fio. Até o acabamento decepciona, por refletir excessivamente o que está à frente. A situação até poderia ser resolvida com o aumento do brilho, mas esse ajuste não existe. Olhando para a concorrência, praticamente qualquer solução é melhor. O Volkswagen Tera, por exemplo, traz até inteligência artificial em seu sistema multimídia, capaz de responder a perguntas dos ocupantes. Quem valoriza tecnologia vai sentir a diferença. Nissan Kait: vale a pena? O Kait é uma evolução importante em relação ao Kicks Play. Ficou mais equipado e mais moderno, mas ainda fica atrás de motores mais potentes e mais eficientes no consumo de combustível. O modelo resolve bem a confusão de dois carros diferentes com o mesmo nome e preserva pontos essenciais, especialmente o espaço do porta-malas. Mas quem pode abrir mão de alguns litros e busca um conjunto mais moderno encontra mais no Volkswagen Tera e no Fiat Pulse. Veja os preços de cada concorrente do Nissan Kait. Nissan Kait: de R$ 117.990 a R$ 152.990; Volkswagen Tera: de R$ 108.390 a R$ 144.390; Renault Kardian: de R$ 113.690 a R$ 149.990; Fiat Pulse: de R$ 114.990 a R$ 160.990.
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