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Projeto do Ifes ensina agricultores a reaproveitar cada parte das frutas Um projeto desenvolvido pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), no campus de Venda Nova do Imigrante, no Sul do estado, está transformando frutas que antes seriam descartadas e iriam para o lixo em fonte de renda para agricultores familiares. A proposta ensina uma técnica de desidratação que converte frutas e legumes maduros em lâminas finas e flexíveis, semelhantes a um "couro vegetal" comestível. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O material pode ser consumido normalmente, é isento de lactose, glúten e açúcar, e pode ser utilizado na produção de flores decorativas para bolos e eventos, além de outras aplicações gastronômicas. A técnica parte de frutas que já passaram do ponto ideal de venda in natura, e que não.teriam valor para venda. Elas são higienizadas, batidas até virar um purê e espalhadas em camada fina sobre uma superfície antes de irem para a desidratadora. Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo TV Gazeta LEIA TAMBÉM: PLANTADA HÁ 18 ANOS: Parreira gigante produz 500 quilos de uva por ano, até 25 vezes mais do que uma videira comum CASTELO: Chocolate de café ou com sabor de café? Produtores investem no doce feito com grãos especiais REDUÇÃO DO DESPERDÍCIO: Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria Após cerca de 12 horas a um dia e meio, o resultado é uma lâmina maleável, pronta para corte e modelagem. "Sabe aquela fruta que geralmente o produtor fala que já não dá pra vender?! A gente pensa: 'Faz alguma coisa com ela, bate um suco!'. Então, é essa fruta que iria ser desperdiçada, sem valor de venda, que volta a ser um produto através da desidratação", explicou a coordenadora geral de Extensão e do Núcleo Incubador do Ifes, Zâmora Santos. Em seis meses, o grupo testou e analisou diferentes produtos, como pitaya, limão siciliano, goiaba, maracujá, tomate e café. As experiências resultaram na elaboração de uma cartilha com orientações técnicas para replicar o processo. Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo TV Gazeta Durante três meses, dez produtores da agricultura familiar participaram da formação prática no campus. Eles receberam conteúdo teórico, apostila com passo a passo e kits com desidratadores para aplicar a técnica nas propriedades. "O nosso curso foi totalmente prático mesmo, mão na massa. Eles receberam o conteúdo teórico, uma apostila com todo o passo a passo, em cada aula nós fornecemos pra eles um roteiro, como se fosse uma receita de bolo, para eles produzirem, e fomos para dentro do laboratório iniciar a produção", afirmou a professora do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Michele Nogueira. O projeto integra o InovaTech, iniciativa da incubadora do Ifes, e conta com apoio do Incaper, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Redução de perdas no campo Na propriedade da produtora rural Vanuza Rosa Falqueto, em Venda Nova do Imigrante, o cultivo é diversificado, com produção de palmito, laranja, abacate, café e limão siciliano. Parte da itens, no entanto, se perdia por falta de escala para venda antes do começo da produção das lâminas. "A nossa produção aqui não é grande. Então, quando a gente ia vender para os atravessadores, eles necessitavam de uma quantidade maior. Muito produto acabava se perdendo aqui na propriedade", disse Vanuza. Com a técnica e a adaptação de uma receita própria, ela passou a transformar principalmente limão siciliano e palmito juçara em lâminas comestíveis. A produtora rural Vanuza Rosa Falqueto transforma principalmente limão siciliano em couro vegetal comestível, em Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo TV Gazeta Também em Venda Nova, a produtora rural Maria Dalva Garcia Andrerão está se capacitando para começar a utilizar as jabuticabas cultivadas na propriedade para criar as lâminas. A família já produzia geleias, doces e compotas e vê na novidade uma oportunidade de ampliar a renda, diversificando os produtos. "Nós estamos pensando em começar primeiro pelos enroladinhos, depois pela florzinhas, que a gente ainda está aprendendo com os professores no curso. Então, eu acho que vai ser de grande valor para nós. É algo que provavelmente iria para o lixo e a gente aproveita tudo, como banana, abacaxi, hortelã, limão, tudo coisas que a gente já tem no sítio", contou Maria Dalva. Para o extensionista do Incaper, Thiago Monteiro, o diferencial do projeto está na sustentabilidade. "O viés de sustentabilidade desse curso está justamente na possibilidade de você fazer o uso de um produto que já não está apto para o consumo in natura, uma fruta que já passou um pouquinho do ponto para banca, o legume que já passou um pouquinho, pra agregar valor a ele. Você pode fazer um uso mais nobre daquele produto, processar e vender como produto acabado", avaliou. Produto no mercado Após o encerramento das aulas, os produtores passam a receber acompanhamento técnico e consultoria para definir preço, embalagem e estratégias de venda. Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo TV Gazeta "Quanto vai custar para o mercado? Quanto vai custar para mim? Eles ainda estão com dúvidas nessa parte e é nisso que a gente vai seguir, para eles conseguirem efetivamente colocar o produto no mercado", reforçou Zâmora Santos. A expectativa é que as lâminas comestíveis, que já deram origem a medalhões de pêssego, lasanha com lâmina de berinjela e combinações como abóbora com coco, passem a integrar o comércio local, ampliando as possibilidades de renda no campo e reduzindo o desperdício de alimentos. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue distante de países referência A ampliação da licença‑paternidade no Brasil, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira (31), representa um avanço aguardado há décadas. Depois de mais de 10 anos de debate no Congresso, os pais brasileiros finalmente vão ganhar mais tempo para acompanhar os primeiros dias de vida dos filhos — ainda que esse tempo continue bem menor do que o oferecido em países considerados referência no tema. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Até agora, a licença‑paternidade no Brasil era de apenas cinco dias corridos. Com a nova lei, esse período vai aumentar de forma gradual: passa para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e chega a 20 dias em 2029. O benefício vale para casos de nascimento, adoção ou guarda de crianças e adolescentes. Com isso, o Brasil deixa de ocupar o grupo dos países com regras mais restritivas e passa a figurar em uma posição intermediária no cenário internacional. Supera países como México e também fica à frente dos Estados Unidos, onde não existe uma licença parental remunerada garantida em nível nacional. Ainda assim, o país permanece distante de modelos mais avançados, adotados principalmente no norte da Europa. Os países que oferecem direito igualitário para pais e mães GloboNews Como funciona fora do Brasil Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que poucos países adotaram um modelo realmente igualitário de licença parental, garantindo o mesmo direito para pais e mães. É o caso de Suécia, Islândia, Austrália e Nova Zelândia. Na Suécia, por exemplo, o cuidado com os filhos é tratado como responsabilidade conjunta desde o primeiro dia. O país garante 480 dias de licença parental por família, que podem ser divididos entre os responsáveis. Cada um tem direito a 240 dias, sendo que uma parte desse período é obrigatoriamente individual e não pode ser transferido. 📎 A remuneração não é integral durante todo o tempo, mas o volume de dias disponíveis é muito superior ao brasileiro. Na Nova Zelândia, a lógica é parecida, mas com menos tempo. A licença parental remunerada pode chegar a seis meses e é concedida ao cuidador principal, que pode ser o pai ou a mãe, conforme decisão da família. O benefício pode ser transferido entre os parceiros, mas só um pode usar por vez. Licença-paternidade na Europa GloboNews ➡️ Na União Europeia, existe uma regra mínima: todos os países devem garantir pelo menos duas semanas de licença‑paternidade. A partir daí, cada governo define seus próprios critérios. A França oferece quatro semanas. A Holanda, seis. Em Portugal, os pais têm cinco semanas de licença‑paternidade, sendo quatro obrigatórias e totalmente remuneradas, além de incentivos para que o pai use parte da licença compartilhada, aumentando o tempo total de afastamento da família. Um outro levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com base em dados de 2025, mostra o número de dias de licença-paternidade em cerca de 193 países. A liderança é da Eslováquia, com 197 dias, seguida pela Islândia, com 183, e pela Espanha, com 133 dias. A maior parte dos países no topo do ranking é europeia. O Brasil, com cinco dias, ocupa a 80ª posição. Com os 20 dias previstos para 2029, o país passaria a figurar entre os 20 primeiros, igualando-se à Bélgica e superando o Uruguai, que conta com 17 dias. Abaixo, veja como a licença-paternidade ao redor do mundo: Licença-Paternidade no mundo (ano base 2025) Arte g1 Quando o Brasil é comparado aos Estados Unidos, o avanço fica ainda mais evidente. Apesar de ser a maior economia do mundo, o país não tem uma licença parental remunerada garantida por lei federal. “Aqui nos Estados Unidos não existe licença, nem maternidade de direito. É tudo caso a caso, depende do contrato”, explicou o jornalista Guga Chacra, em comentário ao Estúdio I. Segundo ele, muitas empresas simplesmente não oferecem nenhum benefício. EUA e Canadá não garantem, por lei federal, licença-paternidade remunerada GloboNews “Muitos pais só vão ao hospital, veem o bebê e no dia seguinte já estão trabalhando. Às vezes, se não voltam no mesmo dia”, relatou. A legislação americana garante apenas até 12 semanas de afastamento sem salário, e isso só vale para trabalhadores de empresas maiores e com mais tempo de vínculo. Alguns estados criaram programas próprios de licença remunerada, mas eles não cobrem todo o país e pagam apenas uma parte do salário. Por que dar o mesmo direito a pais e mães? Segundo Guga Chacra, os países que decidiram equiparar a licença de homens e mulheres fizeram isso por um motivo prático, além da preocupação social. “Na hora de contratar, o empregador sabe que tanto o homem quanto a mulher terão direito à licença. Isso evita aquela lógica de priorizar homens porque a mulher pode engravidar e ficar meses afastada.” Esse tipo de política ajuda a reduzir a discriminação contra mulheres no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, estimula uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa. Em alguns países, o direito à licença é do casal, independentemente de serem dois homens, duas mulheres ou um casal heterossexual. O tempo pode ser dividido ao longo dos anos, conforme a necessidade da família. Brasil amplia licença-paternidade Freepik 'Ampliação tímida' No Brasil, a nova lei representa um passo concreto para reconhecer o papel do pai nos primeiros dias de vida da criança. A legislação também corrige distorções ao prever situações em que o pai terá direito a uma licença equivalente à maternidade, como nos casos de falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido. Mesmo assim, especialistas avaliam que o avanço ainda é limitado. “A ampliação para 20 dias é importante, mas continua sendo tímida”, afirma a advogada Ana Gabriela Burlamaqui. Segundo ela, o Brasil ainda mantém um modelo que concentra o cuidado com o recém‑nascido quase totalmente na mulher e não adota, de fato, uma política de licença parental compartilhada. Licença-paternidade ampliada O que muda na prática? Com a nova legislação, o Brasil finalmente atualiza as regras da licença‑paternidade e amplia o alcance do direito. O benefício passa a se chamar salário‑paternidade e será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas pelo INSS. A lei também amplia quem pode ter acesso à licença: além dos trabalhadores com carteira assinada, autônomos, empregados domésticos, microempreendedores individuais (MEIs) e outros segurados do INSS passam a ter direito ao benefício. Outro ponto importante é que o texto reconhece situações em que o pai pode precisar assumir integralmente o cuidado da criança. Nesses casos — como falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido —, a licença‑paternidade pode ser equiparada à licença‑maternidade, chegando a até 120 ou 180 dias. A nova regra também cria estabilidade no emprego durante o período da licença e por até 30 dias após o retorno ao trabalho, além de prever a suspensão ou negação do benefício em casos de violência doméstica, abandono material ou quando o pai não se afasta de fato das atividades profissionais.
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